
Os carros atuais dependem cada vez mais da eletrônica para funcionar. Motor, câmbio, freios, iluminação, direção, ar-condicionado e até sistemas aparentemente simples possuem módulos responsáveis por receber informações, processar dados e comandar outros componentes.
Por isso, quando aparece uma falha eletrônica, é comum ouvir que “o módulo queimou”. Mas na prática nem sempre é tão simples.
Em alguns casos o módulo realmente apresenta um defeito interno e pode ser reparado. Em outros, o problema está no chicote, na alimentação elétrica, em um sensor, em um atuador ou até na rede de comunicação do veículo. É justamente por isso que o diagnóstico deve vir antes da substituição.
Antes de condenar o módulo, é preciso testar o veículo
Imagine um módulo que parou de se comunicar com o scanner. A primeira impressão pode ser de que ele está defeituoso. Porém, se esse módulo não estiver recebendo alimentação correta ou tiver perdido um aterramento, ele também deixará de responder.
O mesmo pode acontecer se existir um curto em outro componente, uma falha no chicote ou um problema na rede CAN.
Por isso, antes de remover qualquer unidade eletrônica, normalmente é necessário conferir alimentações, aterramentos, fusíveis, conectores e sinais de comunicação. Dependendo do sistema, também pode ser preciso avaliar sensores e atuadores ligados àquele módulo.
Esse cuidado é importante porque evita a troca de uma peça cara sem necessidade.
Quando o módulo realmente apresenta defeito
Depois que as condições externas são verificadas, pode ficar evidente que a falha está dentro do próprio módulo. Nesse momento ele pode ser removido e analisado em bancada.
A partir daí, a avaliação passa a ser eletrônica.
Pode existir uma falha na alimentação interna da placa, um componente de potência danificado, uma trilha comprometida, oxidação causada por umidade ou até algum defeito relacionado à memória e ao processamento interno.
É comum, por exemplo, encontrar módulos que deixaram de acionar determinado componente porque o circuito responsável por aquela saída sofreu uma sobrecarga.
Mas mesmo nesses casos não basta apenas substituir a peça danificada. É importante entender o que provocou a falha.
Se um solenoide, motor ou chicote externo estiver em curto e isso não for corrigido, o módulo reparado pode ser danificado novamente.
Todo módulo eletrônico pode ser reparado?
Não.
Existem módulos que apresentam defeitos relativamente localizados e permitem um reparo seguro. Outros podem ter danos muito maiores, como placa carbonizada, corrosão severa, microprocessador danificado ou rompimento de camadas internas da placa.
Nesses casos, a substituição pode ser a solução mais adequada.
Também existem situações em que o módulo não possui necessariamente um defeito físico, mas precisa de programação ou configuração.
Isso acontece porque muitos módulos armazenam informações específicas do veículo. Ao instalar outra unidade, pode ser necessário realizar codificação, adaptação ou transferência de dados.
Por esse motivo, comprar um módulo usado com o mesmo formato ou aparência nem sempre resolve o problema.
Reparo e programação são coisas diferentes
Quando falamos em reparo, estamos tratando de um defeito eletrônico na placa.
Programação é outra etapa. Ela envolve os dados gravados dentro do módulo e pode ser necessária tanto durante um reparo quanto na instalação de outra unidade.
Dependendo do veículo, podem existir informações de imobilizador, configuração, calibração ou identificação que precisam ser preservadas.
É daí que vem também o termo “clonagem de módulo”, usado quando determinados dados de uma unidade original são transferidos para outra unidade compatível.
Isso não significa simplesmente copiar qualquer arquivo. É necessário verificar compatibilidade de hardware, software e aplicação antes de realizar o procedimento.
E quando a falha acontece apenas de vez em quando?
Falhas intermitentes são algumas das mais difíceis de diagnosticar.
O módulo pode funcionar normalmente pela manhã e apresentar defeito depois de aquecer. Em outros casos a falha aparece somente com vibração, durante o acionamento de algum componente ou após vários minutos de funcionamento.
É nesse tipo de situação que equipamentos como osciloscópio, fonte de bancada, microscópio e ferramentas de diagnóstico eletrônico se tornam importantes.
Nem sempre o defeito aparece parado na oficina. Às vezes é necessário reproduzir a condição em que o cliente percebe o problema e acompanhar o funcionamento do sistema até a falha aparecer.
O scanner sozinho não condena uma peça
O scanner é uma ferramenta fundamental, mas ele mostra informações que precisam ser interpretadas.
Um código de falha relacionado a determinado módulo não significa automaticamente que aquela unidade deve ser substituída.
O código serve como ponto de partida para a investigação.
A partir dele, o técnico precisa confirmar o que realmente está acontecendo por meio de testes elétricos, análise de sinais e consulta ao diagrama do veículo.
Esse processo é especialmente importante em sistemas modernos, porque diversos módulos trabalham conectados entre si. Uma única falha de alimentação ou comunicação pode gerar erros em várias unidades ao mesmo tempo.
Diagnóstico antes da substituição
Quando existe suspeita de defeito eletrônico, o objetivo deve ser descobrir a origem da falha antes de substituir componentes.
Na Robi Wood realizamos diagnóstico eletrônico e análise de módulos automotivos, trabalhando tanto no veículo quanto em bancada quando necessário.
Esse tipo de diagnóstico pode ser aplicado em sistemas de injeção eletrônica, câmbio automático, ABS, módulos de carroceria, redes de comunicação e outros sistemas eletrônicos do veículo.
Antes de condenar um módulo, é preciso entender por que ele deixou de funcionar.
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Referências
As informações utilizadas no diagnóstico variam conforme o veículo e normalmente incluem diagramas elétricos, manuais de reparação, boletins técnicos e documentação dos fabricantes dos componentes eletrônicos.
Os procedimentos e possibilidades de reparo também mudam bastante de acordo com o módulo, a marca e o modelo do veículo.
As orientações são gerais. Diagnóstico e manutenção devem considerar o modelo, o ano e os procedimentos do fabricante.
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